A colonizao germnica em Petrpolis.

Nilo Franck

Geral

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Aps as guerras napolenicas, a Europa viveu um perodo conturbado por vrios movimentos que proporcionaram grave crise econmica. Na Alemanha a situao no era diferente. O desemprego crescendo, os camponeses endividados, a indstria paralisada, as estradas destrudas. Enfim, o povo cansado de tantas guerras, sofrimentos que pareciam no ter fim, sempre espera de um novo amanh, procura de melhores condies de vida. Um quadro realmente dramtico.


Essa situao facilitava bastante os planos do Major Koeler, de instalar aqui, uma colnia agrcola, com a participao efetiva do imigrante alemo. Ele preferia o trabalho livre.


Foi ento que no dia 13 de novembro de 1837, chegou ao Rio de Janeiro o navio Justine, proveniente de Havre na Frana com destino a Sidney na Austrlia, com 238 passageiros germnicos, que por desinteligncias havidas a bordo, resolveram ficar no Brasil.


O Major Koeler que dirigia os trabalhos da estrada da Serra da Estrela obteve autorizao do Governo Provincial para contratar esses imigrantes que se estabeleceram no Itamarati, distrito de Petrpolis. Destes, apenas sabe-se o nome de alguns como: Sattler, Jung, Gross e Mller.


Nos livros de registros da Igreja Evanglica de Confisso Luterana, na lista dos confirmandos de 1855 onde registrado o lugar de nascimentos dos jovens, temos nomes como: Laudert, Simmern, Ingelheim, etc e um em especial chama a ateno. Trata-se de Johan Klein, nascido a 26 de abril de 1841 em Itamarati no Brasil, sendo seus pais Peter e Maria Klein. Parece tratar-se de um filho de passageiros do navio Justine. Consta ainda no dia 3 de maro de 1840 o primeiro batizado evanglico de Catharina Brbara Guntacher, da colnia do Itamarati em Petrpolis.


Essa primeira experincia de aproveitar a mo de obra dos imigrantes germnicos, foi bem sucedida, o que levou vrios de nossos governantes , muitos at ento partidrios do trabalho escravo, a mudarem de idia.


Em 1844, o Presidente da Provncia do Rio de Janeiro, Aureliano Coutinho, assinou um contrato com Charles Delrue, vice-cnsul do Brasil em Dunquerque, com o objetivo de contratar 600 casais de colonos, para trabalharem nas obras que aqui estavam sendo realizadas.


Porm na traduo do contrato para o alemo, por descuido, vieram quase 600 famlias, totalizando mais de 2300 germnicos.


A maioria dos colonos era natural de aldeias localizadas em 2 bispados: Treves e Mogncia. Esses 2 bispados estavam englobados na regio da Rennia e Westphlia, ou seja, no Gro-Ducado de Hessen Darmstadt e no Ducado de Nassau, regio conhecida pelo nome de Hunsrck.

O primeiro navio do contrato,Virginieproveniente de Dunquerque, de onde saiu no dia 28 de abril de 1845, depois de uma viagem penosa, chegou ao Rio de Janeiro a 13 de junho, com 161 passageiros, entre homens, mulheres e crianas.


De incio foram levados para Niteri, capital da Provncia, sendo acomodados em barraces, onde permaneceram por dez dias. Aps seguiram para o Arsenal de Guerra da Corte, na cidade do Rio de Janeiro. Ali, receberam a visita do Imperador D. Pedro II que lhes ofereceu donativos e prometeu-lhes apoio e proteo.


Do Arsenal partiram em faluas ( espcie de embarcao vela) para o Porto da Estrela a de l, a p, fazendo escala na Fbrica de Plvora da Estrela e no Meio da Serra at aqui, na ento Fazenda do Crrego Seco, onde chegaram no final da tarde de domingo, dia 29 de junho de 1845, dia de So Pedro Apstolo, data que ficou marcada e comemorada como o Dia da Colonizao Alem.


Vieram mais colonizadores catlicos do que protestantes. No dia 19 de outubro de 1845, na Praa Koblenz, dia de So Pedro de Alcntara, no mesmo altar que fora totalmente ornamentado com flores silvestres, o Padre Luis Gonalves Dias Correia celebrou uma missa para os catlicos enquanto que o pastor Frederico Ave-Lallemant professou um culto para os protestantes.


O Presidente da Provncia, Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho, compareceu a essa solenidade, fazendo um grande elogio ao trabalho dos colonos.


Koeler projetou uma colnia agrcola, que seria estabelecida com a ajuda dos alemes. Os colonos se desenvolveram rapidamente, derrubando matos, semeando, abrindo caminhos e construindo casas. Devemos esclarecer que a terra dada aos colonos no era produtiva. Logo que aqui chegaram foram compradas mais de 200 cabras para alimentar as crianas, j que suas mes no tinham leite, devido aos maus momentos que passaram durante a viagem.


Nos meses seguintes mais doze navios aportaram no Rio de Janeiro totalizando 2238 colonos germnicos. Nem todos chegaram a Petrpolis. Muitos morreram a caminho. Um relatrio do Presidente da Provncia, enviado Assemblia Provincial no dia 1 de maro de 1846, apontava ter Petrpolis 2.101 habitantes sendo 1921 alemes.


Os colonos se desenvolveram rapidamente. Elevaram muito o nome de Petrpolis, contribuindo de uma forma muito grande para seu desenvolvimento.


Por Elisabeth Graebner


Fonte de pesquisa: Arquivo Histrico de Petrpolis e Livro: 1 Centenrio da inaugurao da Igreja Evanglica de Petrpolis


Ainda no comentado.