O uso do batom nas sociedades antigas.

"A Histria um entrelaar de tempos e espaos" (BORGES)

Nilo Franck

Geral

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O meio social est repleto de memria , este guarda a dimenso da memria, levando em conta a realidade em que o indivduo est. A memria resgata algo que j aconteceu, estud-la envolve compreender e aprender sobre a cultura do outro, a identidade do outro. A Associao Cultural e Recreativa Brasil/Alemanha consolida o fato histrico da imigrao alem ocorrida na cidade de Juiz de Fora, no ano de 1858, pelas memrias. Memrias coletivas, individuais e resgatadas na comunidade. Todo esse processo de resgate se constitui em fato histrico quando se transforma em objeto de vivncia e recordao coletivas. O grupo de dana, mantido pela entidade, d voz memria, quando em suas apresentaes procura manter a exatido das coreografias, cuidado com os trajes e maquiagem. Portanto, neste momento estaremos propondo uma reflexo sobre o uso do batom pela mulher europia do sculo XIX. No ficaremos presos somente neste perodo histrico e nem geogrfico, j que o uso do batom nos remete a tempos bem mais remotos e localidades bem distintas.

No decorrer de dois mil anos, a finalidade primordial do batom sempre foi a de realar a aparncia da usuria. Em nossa sociedade atual, o batom s usado pelas mulheres, embora no tivesse sido sempre assim; (como tambm o foi com o salto alto que foi usado por homens tambm) o batom vez por outra foi um acessrio unissex e por isso propicia certas associaes sexuais.

O batom sempre inspirou independncia e controvrsias na vida feminina, apesar deste ser seu antigo companheiro. Na realidade, o Batom quase to antigo quanto existncia da humanidade. A diferena que no era conhecido com este rtulo e recorria-se ao uso do mesmo atravs de formas arcaicas e de plantas confeccionadas por mtodos caseiros. Os tons escuros eram mais fceis de serem encontrados, pois so os tons escuros base primria para qualquer outra cor.

Pigmentos vermelhos, j eram aplicados nos lbios em 5.000 aC. No interior de antigos tmulos sumerianos e de egpcios foram encontrados potes de xido de ferro vermelho que nos leva a crer que o costume de colorir os lbios tem razes no Egito. O busto da rainha egpcia Nefertite, exposto no Museu de Berlim, prova que lbios femininos eram pintados pelas mulheres dos faras. Para se enfeitar, elas recorriam s alternativas naturais como a prpura de Tyr e o corante de hena, uma substncia que dava um aspecto mais saudvel aos lbios. Porm havia perigo em se usar o corante. O tom vermelho propiciado pela hena era desejvel, porm sua frmula continha xido de mercrio venenoso .

Na Grcia antiga, um livro de leis descoberto por arquelogos, traz em suas pginas uma lei interessante. Esta lei impedia que mulheres gregas usassem batom antes do casamento, somente aps se casarem poderiam usar tal especiaria.

Na Espanha (sc. VI), o costume era outro, s usavam batom as mulheres menos nobres. De incio, o batom era apenas um mero colorante labial que servia para embelezar as senhoras de classes sociais elevadas. Devia ser usado discretamente, independente da cor a orientao era que no abusasse em sua aplicao. Podia-se recorrer ao seu uso em qualquer situao.

Nas festas, o batom era indispensvel para marcar a diferena entre as Madames provenientes de uma classe elevada, daquelas que viviam mais modestamente, embora freqentassem tambm a alta sociedade. Talvez nenhuma camponesa ou lavadeira poderia ter o privilgio de usar tal requinte, devido s condies monetrias para esse feito, porm isso no quer dizer que no usavam.

As formas de se usar o batom variaram de acordo com a sociedade e o tempo. Em 1770, o parlamento ingls proibiu o uso de tal pigmento nos lbios, porque achava que era dissimulao feminina para seduzir e manipular os homens. J no sculo XVIII, o batom passa a ser considerado um artefato de mulheres mal intencionadas.

Durante toda a historia da humanidade, o batom foi considerado apenas como um instrumento de poder, seduo e manipulao por parte das mulheres, e muitos homens com medo de tal instrumento tentaram proibir o seu uso. Desde que as mulheres comearam a pintar lbios e os rostos, os moralistas encontraram algo com que se escandalizar. A maioria das vezes, a queixa se concentrava na idia de um rosto falso, criado pelo batom e por outros cosmticos. Em alguns casos, o resultado era considerado uma ofensa a Deus. Os primeiros cristos, que viviam entre os romanos, estes ltimos, loucos por uma maquiagem, desdenhavam qualquer sinal de cor artificial por consider-la pecado. Mas, no decorrer da histria, a queixa mais comum em relao ao batom na verdade, a qualquer cosmtico, era a de que ele criava uma falsa mulher. Os homens que se casavam com mulheres que lhes pareciam ter os lbios rseos e as faces orvalhadas, ficavam indignados quando se revelava o artifcio por trs da beleza natural de suas esposas.

No sculo XIX, qualquer tipo de maquiagem era tabu e as mulheres que usassem batom eram consideradas sexualmente disponveis. A maquiagem, mesmo quando se torna em geral aceita, contm muitas nuances simblicas sutis. Uma mulher com a boca carmesim era considerada uma sereia; a que escolhia um batom mais claro, de um rosa mais discreto, era uma boa moa.

Os primeiros batons vendidos em estojos que abriam foram fabricados em 1915 por Maurice Levy nos Estados Unidos. Eram coloridos com carmim, um corante natural extrado da cochonilha-do-carmim, ou Dactylopus coccus, pequeno inseto vermelho que cresce numa espcie de cacto nativo do Mxico, seu nico problema que no eram indelveis e manchavam tudo que esbarravam . O batom que conhecemos hoje em forma de haste, foi embalado em Paris pela primeira vez em 1921, nesse ano ele ganhou o formato atual de bala e estojo, e comeou a ser comercializado. O nome batom significa haste em francs. O sucesso foi tanto que, em 1930, os estojos de batom dominaram o mercado americano e da espalharam-se por todo mundo. Os constituintes do batom alteraram-se ao longo dos anos, mas na realidade a frmula para essa base slida mantm-se quase igual. Alguns dos constituintes do batom foram substitudos e outros suprimidos de vez. Aos poucos, todas as mulheres comearam a usar batom, independente de sua classe social.

Desse modo, tornase inegvel dizer que os cosmticos vo e vem, mas o batom perene. E as explicaes para isso so as associaes ligadas feminilidade que esse cosmtico enigmtico desperta. O batom a feminilidade num tubo, acondicionado e codificado em cores. Assim, o fascnio dele irresistvel, mesmo mulheres que raramente o usam parecem hipnotizadas diante de uma vitrine de batons .

O batom uma experincia sensual completa, desde o momento gasto na prazerosa contemplao da cor at a carcia ntima de faz-lo deslizar nos nossos lbios. O perfume dele evoca lembranas, enquanto que a cor do batom pode fazer lembrar de toda uma era. Os lbios so uma parte vulnervel do corpo humano. Sua pele coberta por uma fina camada crnea que contm pouco tecido gorduroso, e por isso resseca facilmente. Em geral a umidade recuperada pela simples ao de lamber os lbios, mas nem isso eficaz em condies de secura particularmente severas como encontradas em climas extremos, como da Alemanha. Nesse caso, algumas mulheres germnicas que poderiam no ter condies financeiras para adquirirem o batom durante o perodo medieval, cobriam os lbios com uma graxa oleosa produzida por uma planta ou faziam uso de leo animal at conseguirem condies para usufruir tal especiaria. Mas se pintavam quando podiam.

Atualmente, j se encontra facilmente batom para proteger e hidratar os lbios do frio, vento e sol, ao mesmo tempo em que lhes d cor. Na medida em que o preo oscila bastante, os batons esto agora acessveis a todas as classes sociais, e ningum julga ou rotula uma mulher apenas por esta usar batom. Uma arma indispensvel para qualquer mulher, ou apenas uma expresso da vaidade feminina, o certo que o batom est a!

Concluo que, como amantes do batom, ns mulheres pertencentes a grupos de danas folclricas devemos saber que o batom j existia a milhares de anos e que seu uso no proibido. Porm, desde que o mesmo no fale sozinho em nossos lbios podemos us-lo de forma a no se sobrepor ao traje tpico que usamos.




Referncias


* EMSLEY, Jatoer. Vaidade, Vitalidade, Virilidade. RJ, Jorje Zahar,2006.

* EMSLEY, Jatoer. Vaidade, Vitalidade, Virilidade. RJ, Jorje Zahar,2006.p.15.

* EMSLEY, Jatoer. Vaidade, Vitalidade, Virilidade. Op.cit.p.15.

* EMSLEY, Jatoer. Vaidade, Vitalidade, Virilidade. Op.cit.p.18.

* http://www.spiner.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=1112

* http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20081010170901AAElkgX

* http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20081010170901AAElkgX

* PCN - Histria.


Por Sabrina Munck do Nascimento

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