O HOMEM VOLKSWAGEN – WOLFGANG SAUER – 50 ANOS DE BRASIL

Nilo Franck

Nilo

04/10/17 - 15:12


Em 18 de março de 2012, o SCHEMETTERLING GERMANISHE VOLKSTANZ GRUPPE, recebeu convite para se apresentar numa festa de aniversário no Distrito de PAULA LIMA – JUIZ DE FORA, às 1500 horas. A categoria ADULTO representou o grupo neste evento. Lá chegando constatamos ser uma festa que comemorava os OITENTA ANOS de WOLFGANG FRANZ JOSEF SAUER, industrial alemão naturalizado brasileiro, nascido na CIDADE DE STUTTGART, no dia 15 de março de 1930. Estavam presentes entre outras autoridades o então prefeito de JUIZ DE FORA SR CUSTÓDIO MATTOS, o CONSUL GERAL DA ALEMANHA NO RIO DE JANEIRO e o SR DOGLAS FAZOLATTO – PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO MARIANO PROCÓPIO. Na minha cabeça esta apresentação ficou marcada como uma das mais importantes. Afinal era homenageado um dos homens mais conhecidos deste país . Depois da apresentação tiramos uma foto com o homenageado que certamente ficará nas mentes desses jovens por muito tempo. Mais quem é WOLFGANG SAUER.: Sobre ele foi publicado um livro intitulado – O HOMEM VOLKSWAGEN – 50 ANOS DE BRASIL – pesquisa e redação de MARIA LÚCIA DORETTO. Para se ter uma idéia o prefácio foi escrito por ANTONIO DELFIM NETTO, e depoimentos de HANS DONNER e SALOMÃO SCVARTZMAN.

No prefácio pode-se ter uma ideia de sua trajetória. Ele foi magistralmente escrito por ANTONIO DELFIM NETTO, cujo texto publicamos a seguir:

“... FELIZ É O homem que chega aos 80 anos com uma legião de amigos dispostos a relembrar os episódios que viveram juntos; e que conta ainda com a memória viva para escrever a própria história, compartilhada com um bom pedaço da história da modernização industrial brasileira.

Este homem é WOLFGANG SAUER, meu amigo, que me honrou com o convite para este prefácio, que faço deselegantemente curto para não retardar a leitura de um livro que conta a história de um rico período da economia brasileira no século XX, e que é, ao mesmo tempo, um romance com as extraordinárias aventuras de um menino que sobreviveu, junto com a mãe viúva , aos bombardeios durante a Segunda Grande Guerra em sua cidade natal STUTTGART e que, em pouco mais de duas décadas, construiu uma carreira empresarial do outro lado do oceano e passou a comandar o maior fabricante de automóveis do Hemisfério Sul. Nessa qualidade, deu importante contribuição para a modernização do parque industrial de um dos mais promissores países ‘emergentes’ desta parte do planeta (antes tratados de subdesenvolvidos) e exerceu papel decisivo na diversificação das exportações de manufaturas no mercado mundial.




Em 1951, aos vinte e um anos, foi contratado para trabalhar no escritório de representação de empresas alemãs na cidade do PORTO E, com 5 marcos no bolso, emigrou para Portugal para sobreviver e poder ajudar a família nos anos miseráveis do pós-guerra europeu. Após dois anos aceitou o desafio de reerguer a sucursal da Bosch na Venezuela e iniciou uma carreira de executivo com jurisdição ampliada a outros países da América Central e do Caribe, com crescente expansão das operações comerciais. Em1961 após rápido retorno à Alemanha, já falando espanhol e português, foi designado para a direção comercial da bosch no Brasil, onde seu desempenho permitiu ampliar os negócios da empresa no mercado interno e a conquista de novos e importantes clientes externos para a produção brasileira.

Todo este preâmbulo é para sinalizar que, ao ser convidado em 1973 pela direção mundial da Volkswagen para presidir a principal empresa automotiva do Brasil, Sauer já era considerado um dos mais competentes executivos da indústria no Continente. Ele era especialmente respeitado pela habilidade no relacionamento com os operários (o chão da fábrica), e os sindicatos, num cenário extremamente delicado pela dificuldade de diálogo entre os governos e as organizações trabalhistas em toda a região.

Essas qualidades foram fundamentais para seu desempenho nos anos seguintes, quando ele realmente passou a viver ( e liderar em várias ocasiões) alguns episódios vitais da modernização do nosso parque industrial. Não podemos esquecer que foram momentos que pavimentaram todo um período extraordinário de crescimento econômico, o qual, para resumir, tirou o Brasil definitivamente da categoria de país subdesenvolvido.

Citei, de início, como foi importante o esforço de Sauer para ampliar as exportações da indústria automobilística. Há lances geniais retratados em meia dúzia de capítulos ou depoimentos. Dentre estes, pela primeira vez, me parece, está toda a epopeia do contrato de exportação dos Passats ao Iraque e seu pagamento em petróleo, numa época de enormes dificuldades de abastecimento de combustíveis ao Brasil e em meio ao sangrento conflito entre os países do Golfo Pérsico.




O que me alegrou nessas histórias é que se dá o devido crédito não apenas ao desempenho dos executivos que trataram das operações de alto risco, mas especialmente à exposição dos modestos funcionários que trabalharam em condições extremamente difíceis e perigosas. Não quero tomar mais tempo do leitor e deixo apenas um pequeno aperitivo. Referindo-se à dedicação dos trabalhadores nas difíceis operações de desembarque de veículos no porto de Acaba, no Mar Vermelho, ele diz que “todos faziam de tudo, para não atrasar as entregas: se precisava consertar, todos consertavam, se precisava empurrar, todos empurravam: se precisava guiar, todos guiavam: e se precisava lavar, todos lavavam”.

Empresário de notória competência, o sucesso fulgurante de Wolfgang Sauer se explica igualmente pela sua forma particular de relacionamento com o chamado “chão da fábrica”, de um lado: e pelo entendimento da exata dimensão da natureza de como deviam s processar as relações do empresariado com as instituições de um Estado Indutor.....”

Wolfagang Sauer faleceu em abril de 2013 em São Paulo, e nós do SCHMETTERLING GERMANISHE VOLSTANZ GRUPPE, ao nos apresentarmos na sua festa de aniversário, nos sentimos muito felizes por homenagear um magistral cidadão teuto-brasileiro, que escolheu nossa terra para viver até o fim de seus dias. Amava o Brasil como se brasileiro fosse.

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