OS 140 ANOS DE FUNDAÇÃO DA SOCIEDADE ALEMÃ DE BENEFICÊNCIA

“BASEADO NO TRABALHO DE ANTONIO GASPARETTO JUNIOR INTITULADO (MUTUALISMO ALEMÃO EM JUIZ DE FORA- PUBLICADO NA REVISTA CONTEMPORÂNEOS –REVISTA DE ARTES E HUMANIDADES NÚMERO 8 DE MAIO A OUTUBRO DE 2011)”.

Nilo Franck

Nilo

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A DEUTSCHER KRANKEM-UNTERSTÜZUNGS VEREIN, SOCIEDADE ALEMÃ DE SOCORROS MÚTUOS e mais tarde SOCIEDADE ALEMÃ DE BENEFICÊNCIA, foi a primeira associação mutualista no Estado de Minas Gerais, fundada em 26 de maio de 1872, quatorze anos após a chegada dos imigrantes germânicos a Juiz de Fora (1858), por AUGUSTO KREMER, NICOLAU SCORALICK, FREDERICO DOSE, JÚLIO WALTEMBERG, JOÃO HEES, VALENTIM MECKLER, HENRIQUE GREESE, JACOB HEES, GEORGE BECKER E HENRIQUE LOCWENSTEI. Manteve-se ativa por mais de 80 anos sendo extinta em 1961.

Ela não desenvolvia funções políticas segundo LUIZ ANTONIO VALLE ARANTES- professor da UFJF lotado no Instituto de Ciências Humanas da UFJF, mas funcionava como uma previdência privada oferecendo alguma seguridade aos trabalhadores alemães. Prestava auxílio médico e farmacêutico aos seus associados ou financeiro em caso de funeral. Pode-se dizer que a entidade foi uma extensão da COLÔNIA D PEDRO II, reforçando as raízes e os laços de solidariedade e reciprocidade entre os imigrantes.

O autor acentua que os imigrantes e suas famílias procuraram, através dessa entidade, manter seus laços com suas tradições históricas e culturais, reforçando identidades, oferecendo recursos de seguridade. Segundo Manoel Diegues Jr professor da PUC-RJ, esse espírito associativo já existia na Europa, e é então transplantado para o Brasil, e aí assume a nova função de reforço da identidade. A proliferação desse tipo mutual aconteceu no Rio de Janeiro, na época, a região de maior concentração de imigrantes, também em São Paulo. Juiz de Fora entra neste contexto por ter uma história muito íntima com os imigrantes desde seu início e, especialmente, por se constituir na cidade mais urbanizada da região da Zona da Mata de Minas Gerais, teve várias delas.

Em geral, todas as associações se empenhavam em possuir prédio próprio para a realização de suas atividades, pudemos constatar apenas que a SOCIEDADE ALEMÃ DE BENEFICÊNCIA possuía sede própria na RUA BERNARDO MASCARENHAS (VILLAGE OU COLÔNIA DE BAIXO DA ANTIGA COLÔNIA D PEDRO II) (o PHAROL(02) – 11/09/1911 PG 10).

Várias festas eram organizadas com o intuito de angariar fundos em benefício da própria associação. Esta era uma via comum de arrecadação de recursos utilizada pelas sociedades. Nessas quermesses(1) ocorriam leilões ou extrações de tômbolas (3). As prendas normalmente eram oferecidas para um público indistinto, associado ou não (O PHAROL – 04/03/1886 – pg 02). Em ocasiões especiais aconteciam também bailes como no caso da PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA, em 1890 (O PHAROL 13/11/1890 PG 03).

LUIZ ANTONIO DO VALLE ARANTES destaca ainda que as festas religiosas e comemorativas foram fundamentais para a manutenção das tradições germânicas, fortalecendo os laços dessa comunidade (ARANTES 2000 – PG 104. As quermesses. Leilões e bailes eram regadas de fogos, música e manifestações típicas da cultura alemã.

1. QUERMESSE – São festas realizadas, em diversas épocas de acordo com cada paróquia, com barracas de sorteios, jogos com prêmios, bebidas e comidas típicas, de acordo com cada região. Sua origem está ligada a religião católica. ERA a festa do Santo Padroeiro da paróquia ou aniversário da Igreja.(www.wikipédia – enciclopédia livre.com.br). O meu querido amigo HILÁRIO RODOLFO KLEIN, descendente de imigrantes alemães de NOVA PETRÓPOLIS-RS), em sua palestra realizada no VI ENCONTRO DAS COMUNIDADES ALEMÃES DA AMÉRICA LATINA – JUIZ DE FORA 2008, intitulada COMO SE DIVERTIAM OS IMIGRANTES EM NOVA PETRÓPOLIS-RS, destaca o KERB (para o católico a festa do padroeiro e para os luteranos aniversário da Igreja). Destaca ainda a origem do nome, segundo alguns, se originaria da expressão ‘KIRCHEWEIHEFEST’ (festa de inauguração da Igreja) e para outros seria uma corruptela de ‘KORBE’ (cesto ou balaio em alemão) pois os alimentos e as decorações eram trazidos em jacás amarrados sobre o lombo dos animais de carga.

2. ‘O PHAROL’ – Foi um periódico brasileiro publicado em Juiz de Fora-MG entre os séculos XIX e XX. Foi fundado em Paraíba do Sul no ano de 1866 e trazido quatro anos depois para Juiz de Fora-MG, onde foi publicado por 69 anos. Sua tipografia foi a primeira a ser instalada em Juiz de Fora. Em sua redação trabalharam jornalistas ilustres da cidade tais como: DILERMANDO CRUZ, LINDOLFO GOMES, DIOGO DE VASCONCELOS, CESÁRIO ALVIM, FONSECA HERMES, dentre outros.

3. TÔMBOLAS – O mesmo que bingo só que colocado em sacos;



Por Nilo Sergio Franck